tire com suas mãos esse alfinete que ainda resta…isso…aqui…não, não…um pouco mais para baixo…tá quase…sinto que está saindo…apenas um pouco mais de paciência…
Arquivo para Agosto, 2008
isso.
Quando tento dar forma à morte ou faço uso de elementos que a remetem, quero, portanto, sobreviver à ela.
Cheiro de arco-íris mesmo na tempestade. Milhares de cores e nuances transparentes como a própria fala. Ora ofusca, ora intimida, ora acolhe, ora aprofunda, ora ora ora.
Necessidade de subir junto com o balde cheio de água límpida, do poço à luz.
Quem és? Perguntei ao desejo.
Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada.
(…)
Pois pode ser.
Para pensar o Outro, eu deliro ou versejo.
Pensá-LO é gozo. Então não sabes? INCORPÓREO É O DESEJO.
- Hilda Hilst
E do que ouço agora
Que se transforma em frases soltas
Que serão logo esquecidas
Como o dia-a-dia
Como a flor recém chegada à terra que colhi há 3 horas atrás
E que já me olha com olhos caídos
Assim,
Já foi.
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Quando a gente acha que as coisas estão encaminhadas, encadeadas, assim, com cheiro de madrugada, vem a tormenta e te derruba de um jeito, que parece impossível se levantar.
“Levante-se”. Diz a voz que vem do além. “Sorria”. Diz a voz do coletivo. “Seja feliz”. Diz a voz da mídia. “Deixa de preguiça”. Diz a voz de sei lá quem. “Me deixa em paz”. Eu digo.
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……………….. ………….e s v a e c e n d o
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De todas as coisas as quais posso falar, a mais importante nesse momento é a que remete a tudo aquilo que já foi feito, nessa vida e em vidas passadas. Não acredito em destino, mas por que raios parece que tudo se repete? Será que não somos competentes o bastante para deixar de seguir velhos padrões, velhas manias, modelos que não nos agradam, paradigmas cujo desejamos notadamente escrever o seu oposto?
Me chateia saber que quanto mais tento ser diferente, mais igual eu sou. Que coisa loser de se dizer, mas é a verdade e pouco me importo em me expor dessa maneira. Falar das fraquezas e pedir ajuda talvez seja um sinal de força. Quem sabe?
Qual será o termômetro de meus escritos? Penso que possam muitas vezes soar em queda, quiçá melancólicos. Mas o bem não necessita ser explicitado. Ou precisa? É, acho que precisa sim, mas não nesse caso. A alegria nos faz rir com sinceridade.
Ao contrário, a melancolia me pede para ser expulsa daqui através de palavras escritas na maioria das vezes. Quantas vezes eu já não levantei da cama para escrever, para então conseguir dormir ou simplesmente para anotar algum trabalho artístico a ser realizado? Normalmente esses tipos de comunicação, idéia ou expressão surgem quando há algo pesado a ser colocado de volta ao mundo em forma de palavras, textos, arte. A palavra é direta, o texto necessita de um maior cuidado, a arte eu respeito demais, penso nela muitas vezes, até me sentir ao menos um pouco mais segura para realizá-la. Não entro aqui em discussões aprofundadas se palavras e textos são ou não arte, ou mesmo se o que eu faço pode ser chamado de arte ou não. Isso seria uma outra questão, que merece um puta texto complexo que me dá dor de cabeça só de pensar.
Tenho que me levantar às 05:30, já são 04:32 e não tenho vontade de dormir. E mesmo se tivesse, não conseguiria caso não deixasse todas essas palavras para trás. Elas me dão liberdade.
Tenho pavor, tenho pavor do silêncio proferido pela mudez. Mas tenho ainda mais medo do silêncio proferido por ninguém.
parafraseando o elemento químico de número atômico 30:
do seu desejo de se diluir e não mais entrar em questões relacionadas à densidade, há um paradoxo. pois entrar em determinados assuntos não necessariamente significam que eles o atordoam, e de repente, são questões que de alguma maneira fazem parte de você. ou não mais. mas paradoxos fazem parte da vida, e de todos, acho.
é clichê, mas acredito totalmente que do caos vêm a ordem. sempre penso e até escrevi isso aqui antes, que espero, simultaneamente ou não, que do estrondo das ondas do mar sobre as rochas, suas águas se façam límpidas, claras e sussurrantes, como a espuma na beirinha da praia, sobre meus pés. trazendo calmaria. arrebentação. tranqüilidade. estrondo. ordem. caos. vai-e-vem. ondas.