Depois de mais de um mês de abstinência, resolvi voltar. Mas voltar a quê? Na verdade nem sei ao certo, ou sei e tenho receio e vergonha de demonstrar publicamente. Quando pensei em criar algo, coloquei em minha mente algo de persistência e alguma coisa de disciplina, mesmo que fosse para algo aparentemente bobo. Não gosto de abandonar as coisas, não gosto de abandonar nada, não gosto de desistir.
Não desisti. Esqueci temporariamente. Mas nada nessa vida acontece por força divina (isso existe?) ou bons ventos ou seja lá como eu deveria chamar qualquer coisa desse tipo. Acredito no esforço diário, pequeno, lento, carinhoso, cuidadoso, algo para olhar, observar, depositar tudo de melhor possível e assim continuar. Nessa longa estrada cheia de pedras, barrancos, barbeiros e sol.
Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
- Pablo Neruda
venha comigo…me dê sua mão…
as coisas vão seguindo e não sei mais se estão a delinear ou desalinhar…quê?
detesto e ao mesmo tempo adoro frases feitas e clichês, e teria vergonha de escrever esse tipo de coisa por aqui… tudo bem! estou me explicando demais e alongando o discurso para chegar exatamente aonde todos já sabem e apenas dizer: há males que vem para o bem.
Ao mesmo tempo que sinto ódio, raiva e rancor por diversas razões, sinto também alegria e motivação para sorrir. Sim, você me dá forças para suportar e passar por essa ‘fase’ totalmente ruim de uma maneira mais leve, feliz e esperançosa. Obrigada.
Acabou o tempo da brincadeira. Acabou. Ok, já disse isso muitas vezes antes, assim como já disse que não beberia mais ou então que não repetiria certas manias e vícios… E agora? Bem, agora é olhar para frente, centrada, fazendo o máximo de esforço possível para não perder o foco. Importante. Talvez eu venha a abdicar de certas coisas que eu realmente não queria, mas a vida é feita de escolhas e, muitas vezes nem escolhas temos, simplesmente somos quase que obrigados. Ou é isso, ou é isso. Ou então são 3 opções extremadas, algo como: assumo, fujo, me mato. Não há muita escolha. Assumir pressupõe abdicação. Fugir pressupõe imaturidade e problemas muito maiores no futuro. Me matar pressupõe coragem, sangue frio e/ou egoísmo. É, de pessimismo e niilismo, por hoje, já deu. Tchau.
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deite-se, descanse, amanhã é outro dia, não tema, protejo-te, boa noite.
e quando de repente tudo muda. o caminho a tomar eu não sei se sei. talvez eu saiba, mas não quero repetir certas coisas, como se fosse somente mais um capítulo. não. quero algo novo que possa fazer do passado a lição para o presentefuturo. já estou fazendo, reconheço. devo continuar. quase certa que sim na certeza do incerto.
tire com suas mãos esse alfinete que ainda resta…isso…aqui…não, não…um pouco mais para baixo…tá quase…sinto que está saindo…apenas um pouco mais de paciência…
isso.
Quando tento dar forma à morte ou faço uso de elementos que a remetem, quero, portanto, sobreviver à ela.
Cheiro de arco-íris mesmo na tempestade. Milhares de cores e nuances transparentes como a própria fala. Ora ofusca, ora intimida, ora acolhe, ora aprofunda, ora ora ora.
Necessidade de subir junto com o balde cheio de água límpida, do poço à luz.
Quem és? Perguntei ao desejo.
Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada.
(…)
Pois pode ser.
Para pensar o Outro, eu deliro ou versejo.
Pensá-LO é gozo. Então não sabes? INCORPÓREO É O DESEJO.
- Hilda Hilst
E do que ouço agora
Que se transforma em frases soltas
Que serão logo esquecidas
Como o dia-a-dia
Como a flor recém chegada à terra que colhi há 3 horas atrás
E que já me olha com olhos caídos
Assim,
Já foi.
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Quando a gente acha que as coisas estão encaminhadas, encadeadas, assim, com cheiro de madrugada, vem a tormenta e te derruba de um jeito, que parece impossível se levantar.
“Levante-se”. Diz a voz que vem do além. “Sorria”. Diz a voz do coletivo. “Seja feliz”. Diz a voz da mídia. “Deixa de preguiça”. Diz a voz de sei lá quem. “Me deixa em paz”. Eu digo.
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……………….. ………….e s v a e c e n d o
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De todas as coisas as quais posso falar, a mais importante nesse momento é a que remete a tudo aquilo que já foi feito, nessa vida e em vidas passadas. Não acredito em destino, mas por que raios parece que tudo se repete? Será que não somos competentes o bastante para deixar de seguir velhos padrões, velhas manias, modelos que não nos agradam, paradigmas cujo desejamos notadamente escrever o seu oposto?
Me chateia saber que quanto mais tento ser diferente, mais igual eu sou. Que coisa loser de se dizer, mas é a verdade e pouco me importo em me expor dessa maneira. Falar das fraquezas e pedir ajuda talvez seja um sinal de força. Quem sabe?
Qual será o termômetro de meus escritos? Penso que possam muitas vezes soar em queda, quiçá melancólicos. Mas o bem não necessita ser explicitado. Ou precisa? É, acho que precisa sim, mas não nesse caso. A alegria nos faz rir com sinceridade.
Ao contrário, a melancolia me pede para ser expulsa daqui através de palavras escritas na maioria das vezes. Quantas vezes eu já não levantei da cama para escrever, para então conseguir dormir ou simplesmente para anotar algum trabalho artístico a ser realizado? Normalmente esses tipos de comunicação, idéia ou expressão surgem quando há algo pesado a ser colocado de volta ao mundo em forma de palavras, textos, arte. A palavra é direta, o texto necessita de um maior cuidado, a arte eu respeito demais, penso nela muitas vezes, até me sentir ao menos um pouco mais segura para realizá-la. Não entro aqui em discussões aprofundadas se palavras e textos são ou não arte, ou mesmo se o que eu faço pode ser chamado de arte ou não. Isso seria uma outra questão, que merece um puta texto complexo que me dá dor de cabeça só de pensar.
Tenho que me levantar às 05:30, já são 04:32 e não tenho vontade de dormir. E mesmo se tivesse, não conseguiria caso não deixasse todas essas palavras para trás. Elas me dão liberdade.
Tenho pavor, tenho pavor do silêncio proferido pela mudez. Mas tenho ainda mais medo do silêncio proferido por ninguém.
parafraseando o elemento químico de número atômico 30:
do seu desejo de se diluir e não mais entrar em questões relacionadas à densidade, há um paradoxo. pois entrar em determinados assuntos não necessariamente significam que eles o atordoam, e de repente, são questões que de alguma maneira fazem parte de você. ou não mais. mas paradoxos fazem parte da vida, e de todos, acho.
é clichê, mas acredito totalmente que do caos vêm a ordem. sempre penso e até escrevi isso aqui antes, que espero, simultaneamente ou não, que do estrondo das ondas do mar sobre as rochas, suas águas se façam límpidas, claras e sussurrantes, como a espuma na beirinha da praia, sobre meus pés. trazendo calmaria. arrebentação. tranqüilidade. estrondo. ordem. caos. vai-e-vem. ondas.
penso ajo não ajo olho suo sangro bebo corto como falo choro rio volto
penso ajo não ajo olho suo sangro bebo corto como falo choro rio volto
penso ajo não ajo olho suo sangro bebo corto como falo choro rio volto
penso ajo não ajo olho suo sangro bebo corto como falo choro rio volto
penso ajo não ajo olho suo sangro bebo corto como falo choro rio volto
penso ajo não ajo olho suo sangro bebo corto como falo choro rio volto
penso ajo não ajo olho suo sangro bebo corto como falo choro rio volto
penso ajo não ajo olho suo sangro bebo corto como falo choro rio volto
penso ajo não ajo olho suo sangro bebo corto como falo choro rio volto
penso ajo não ajo olho suo sangro bebo corto como falo choro rio volto
penso ajo não ajo olho suo sangro bebo corto como falo choro rio volto
penso ajo não ajo olho suo sangro bebo corto como falo choro rio volto
penso ajo não ajo olho suo sangro bebo corto como falo choro rio volto
penso ajo não ajo olho suo sangro bebo corto como falo choro rio volto
tão escura quanto o fundo de um poço. tão obscura quanto o horizonte de uma floresta dentro da noite. tão profunda quanto o fundo do mar. tão clara quanto um copo de água fresca. tão aberta quanto uma rosa no fim de um dia quente. tão rasa quanto um pires.
ENSO
DENSO
DENSO
DENSO
DENSO
DENSO
DENSO
DENSO
DENSO
D E N S O
D E N S O
D E N S O
DENSO
DENSO
DENSO
DENSO
DENSO
DENSO
DENSO
DENSO
Sim! A densidade é maleável, com capacidade de expansão e momentos de diluição.
d e n s o
Toda fala é inalcançável. Toda palavra é inefável. Toda tradução é incompleta. Toda explicação é insuficiente. Todo pensamento é submisso ao sentimento.
Um pouco de tempo.
O tempo que toca o timbre do tom que tece o toque que traça o tempo que passa.
Coração.
Toque.
Tempo.
Timbre.
Tic.
Tac.
Têm.
Tom.
Tudo.
Tu.
Tu.
Tu.
Densidade é uma palavra que tem andado muito comigo, talvez nos últimos dois ou três anos (ok, essa tentativa de quantificar o tempo foi quase que totalmente aleatória!). Às vezes eu penso que isso é bom, mas muitas outras penso que é ruim, e mais, afasta muita gente. E a idéia de seleção de pessoas? Será que entra nesse âmbito essa questão?
Olha, sei lá! Mas não deixo de mencionar aqui que isso me tira boas horas de sono, de tempo, que seja. E que se fosse diferente, eu certamente não estaria aqui escrevendo, e ainda mais, postando em um blog aberto para quem quiser ler.
O texto é desarticulado, talvez de difícil compreensão ou concatenação de idéias com final feliz e algum tipo de resultado. A escrita se apresenta quase como meus pensamentos, de maneira mais ou menos organizada para o leitor, e confusa na maior parte das vezes na tentativa de encontrar um eixo central. Minha mente é uma bagunça!
A tranqüilidade é algo que eu almejo muito, mas que quanto mais penso nela, parece que mais distante fica. Queria paz de espírito, calma para saber que sempre haverá alguém para me ouvir e conversar, não necessariamente que concorde comigo, claro que não! Adoro debates. Mas com a tal da densidade parecida, que saiba como é ter na cabeça um turbilhão de idéias, pensamentos, conceitos, cores, opiniões que vêm e que vão, assim, como o mar faz com suas águas na beira da praia. E talvez, mais ali ao fundo, arrebenta por sobre as rochas fazendo escutar ao longe o estrondo, por horas. Para mais tarde ou quem sabe concomitantemente, se fazer raso, límpido, claro e fresco, como a espuma que sussurra e estala na areia perto de meus pés que observam e participam.
DENSO
Adj. 1. Que tem muita massa e peso em relação ao volume.
O que me preocupa é o peso. O peso das coisas, o peso de mim, o peso de meus pensamentos e o peso do que os outros pensam a respeito do que eu penso.
Aliás, há um texto ótimo sobre o peso do Richard Serra, preciso achá-lo, adoraria postá-lo aqui.
PESO
18. Fig. Tudo quanto incomoda, molesta, fatiga, preocupa ou abate; carga, fardo.
Realmente, tranqüilidade e mente livre é o que mais quero! Mas sabe de uma coisa? Até nas coisas mais trágicas eu tenho tido calma e paz para aceitação. Ou seria frieza?
Ai, que dor de cabeça….não sei o que é. E parece que não vai passar até eu dormir, mas não quero dormir, estou com vontade de escrever, e essa música (Najwa Nimri – Gold Note) tá muito agradável. Mas é tarde (01:01 am) e amanhã eu tenho que ir ao H.U. ver se resolvo logo essa chatice de astigmatismo, miopia, óculos e etc. É isso. Comer algo, beber leite quente, dormir, acordar amanhã e recomeçar.
Levando em consideração os bolos que tenho comido ultimamente, e o bolo que comi hoje, eu deveria estar farta e com a barriga cheia! De doce. Mas não, tenho fome.
Hoje mesmo, almoçando no restaurante central da Universidade de São Paulo (vulgo bandejão!), enquanto saciava minha fome no sentido literal da palavra, aproveitei para observar as pessoas, e me dei conta de que gosto muito de pessoas que riem à toa, assim, sem motivo aparente.
Um homem (ou devia dizer, garoto?), enquanto comia seu prato no melhor estilo montanha, começou a sorrir. E continuou a comer. E quando miro novamente, estava rindo, e comendo, e gargalhando, e comendo. Percebeu que eu olhava. Opa! Desvio meu olhar tentando achar outra cena que me prenda. Mas não acho.
Terminei de comer, continuei na esperança de mais algum acontecimento divertido, mas como mais nada diferente acontecia, e eu já estava parecendo uma maluca com o prato vazio pescoçando as mesas alheias, resolvi me retirar.
O que é exatamento o egoísmo?
O dicionário me diz:
egoísmo
do Lat. ego, eu
s. m., amor próprio excessivo, que leva o indivíduo a olhar unicamente para os seus interesses em detrimento dos alheios; conjunto de propensões ou instintos que levam à conservação do indivíduo.
A ver:
- amor próprio excessivo? Bah…Tá longe!
- olhar unicamente para meus interesses em detrimento do próximo? Hm…talvez, mas sempre com muito cuidado e pensar, pensar, pensar…para não machucar ou magoar.
- propensões que levam à conservação do eu? Olha, melhor nem comentar a fundo essa questão!
O questionamento mais profundo e sério, talvez seja o segundo. Pois envolve o outro. A partir do momento que mexo com a vida alheia, preocupo-me. Mas há uma pergunta (ou seriam perguntas?) que não me deixa em paz:
- Qual o limite do meu eu? Até que ponto eu posso responder por mim e somente a mim? A partir de que momento o sentimento do outro é mais importante do que o meu?
Queria muito respostas para todas essas ansiedades. Aceito sugestões, opiniões e o que for!
Obrigada a quem está aqui.
Ok. As pessoas têm seus momentos catárticos, de surto e desligamento do mundo real (aliás, o que podemos chamar de real e de não-real? ainda não sei….sugestões?), mas até que ponto as pessoas à sua volta realmente necessitam respeitar esses momentos (que podem facilmente transformar-se em algo perene)? E como falar em respeito, se essa pessoa falta com o mesmo no exato instante em que decide desligar-se?
Não, não estou falando em suicídio. Apesar desse assunto de alguma maneira pertencer a discussões parecidas com a comentada acima. Ponderando suas proporções, argumentos e motivos, penso que a simples falta de anúncio e satisfação, toca no ponto nevrálgico da questão. Há de se pensar com mais calma e reflexão, e discutir tais questões ansiosas.
E esse frio? Sério. O sol me enganou, ficou lá dando as caras, mas nem me avisou que não estava em funcionamento. Humpf!
Mas gosto de ti, ventinho.
É estranho me livrar de certos pensamentos quando o que sinto não é realmente o que penso. E o que penso não é realmente o que sinto.
- Mas como?
Traduzir sentimentos em palavras-texto necessita do filtro do pensamento, enquanto inteligibilidade daquele que lê.
- Mas quem se importa?
Talvez sentimentos-pensamentos proferidos aleatoriamente nesse espaço de ninguém fique mais claro, não sei.
- Alguém gastaria o tempo lendo tão mal desenhadas frases?
Ah! Isso é o que eu (não) queria saber.
À medida que o tempo passa, muita coisa vai ficando para trás:
* a paisagem na janela do carro em movimento
* as águas do rio a desaguar no oceano
* as iscas dos anzóis perdidas no mar bravio
* os amores hoje murchos como florzinhas de camomila na infusão do chá calmante
Espalmo minhas mãos no que foi e não alcanço, estico os braços e não há nada que tenha sido, me pego a correr atrás do que já fora.
E no estrondo das ondas sobre as rochas, no feixe luminoso do farol que te guia, no sal que corrói as estruturas, a vida continua. Como sempre. O ontem que ontem era hoje, o hoje que ontem era amanhã, o amanhã que amanhã será hoje, o hoje que amanhã será ontem, mais uma vez, até o fim.
Do perfume do café imagens vêm e se esvaem, assim, tão efêmeras quanto o próprio vapor.
Escrevo na esperança de transformar acontecimentos recentes em fósseis desprezíveis.
